segunda-feira, 30 de novembro de 2009

São Paulo - Presa dupla com 766 quilos de maconha em Limeira-SP


Agentes da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), do Departamento de Combate ao Narcotráfico (Denarc), apreenderam ontem, por volta das 20 horas, um total de 766 quilos de maconha na cidade de Limeira, no interior paulista.
A droga estava escondida no fundo falso de um caminhão-baú que foi abordado pelos policiais civis no quilômetro 140 da Rodovia Anhanguera, em frente ao Auto Posto Graal. Foram detidos o motorista do caminhão, William Pereira de Amorim, de 29 anos, e Roberto Gomes da Silva, suspeito de ser o comprador da droga e de fazer a escolta da carga ilícita.
Segundo a polícia, que chegou até o entorpecente depois de trabalho investigativo, Roberto já era procurado por tráfico no Estado do Paraná e iria distribuir a maconha na cidade de Suzano, na região leste da Grande São Paulo. A dupla foi encaminhada à sede do Denarc, em São Paulo, e autuada em flagrante.

Minas Gerais - PF desmonta esquema que fraudava atestados nas prisões de MG



Detentos simulavam doenças graves com auxílio de laudos médicos falsificados para obter benefícios judiciais

SÃO PAULO - A Polícia Federal em Uberlândia, Minas Gerais, desencadeou nesta segunda-feira, 30, a Operação Filho Pródigo, com objetivo de desmantelar esquema criminoso no sistema penitenciário. A operação foi articulada com o serviço de inteligência do sistema prisional e pela Polícia Militar do Estado.
Os detentos, de acordo com a PF, usavam atestados médicos falsos para levar a erro autoridades judiciais e penitenciarias, simulando moléstias graves com objetivo de obter benefícios judiciais. A operação cumpre oito mandados de prisão e seis de busca e apreensão. Ainda não há informações sobre o número de presos.
As investigações constataram que atestados médicos emitidos por A.F.R.J. eram baseados em laudos de exames falsificados. Em outros casos apurou-se que atestados médico eram emitidos sem os devidos exames.
Entre os presos beneficiados por decisões judiciais baseadas nesses atestados, alguns foram identificados como sendo de alta periculosidade, incluindo-se diversos assaltantes e traficantes.

Fonte: Estadão
Autor: Solange Spigliatti

São Paulo - Corregedoria apura fraude em concurso para fotógrafo da Polícia Civil de SP

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo apreendeu na sexta-feira (27) todos os documentos do concurso para fotógrafo técnico policial, que oferece 107 vagas. O salário é R$ 1.801,69 para o cargo, que exige ensino médio.

A suspeita é a de que tenha ocorrido fraude na fase oral - segunda fase do exame - feito pela Academia da Polícia Civil. O concurso, que recebeu mais de 17 mil inscrições, teve prova preambular, com testes de múltipla escolha, prova oral e exames psicotécnicos e físicos.

Candidatos que não teriam respondido a nenhuma das cinco perguntas feitas na prova de português teriam sido mesmo assim aprovados e outros foram barrados pela banca examinadora composta por peritos criminais. Os exames foram filmados.

Os corregedores foram à sede da Academia da Polícia Civil, na Cidade Universitária, no Butantã, na Zona Oeste de São Paulo, a pedido do próprio delegado Ailson José Vieira Pinto, diretor da academia, que recebeu a denúncia sobre a suposta fraude. Os aprovados já estavam cursando as aulas quando o caso foi descoberto.

Além de documentos com as provas e anotações dos examinadores, a corregedoria também apreendeu oito DVDs com as imagens das provas orais dos candidatos aprovados conforme lista publicada no dia 16 de julho de 2009 - os exames realizados entre 27 de abril e 8 de julho haviam sido gravados.

Os integrantes da Divisão de Operações Policiais (DOP) da corregedoria permaneceram durante quatro horas dentro da academia e voltaram por volta das 20h30 à sede da corregedoria, no Centro de São Paulo. O material foi lacrado e deve começar a ser analisado nesta segunda-feira (30) pelos corregedores, quando também deve ser aberto inquérito.

Os candidatos reprovados e aprovados devem ser chamados a depor. Além deles, a corregedoria deve ouvir também os integrantes da banca examinadora do concurso. Os DVDs com as imagens das provas orais serão enviados à perícia.

Fonte: G1, São Paulo

Minas Gerais - Polícia Civil entra em greve

A Polícia Civil de Minas Gerais está trabalhando em escala mínima, nesta segunda-feira, atendendo apenas os flagrantes e os casos de urgência. O motivo é a paralisação de 48 horas que a categoria faz para reivindicar melhores condições de trabalho e reajuste salarial.

Segundo o Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindipol/MG), se o governo do Estado não apresentar uma proposta atendendo as exigências, a categoria vai entrar em greve por tempo indeterminado a partir desta quarta-feira. A paralisação também atinge as unidades do Instituto Médico Legal (IML), que trabalham apenas com 30% da capacidade normal, o que vai causar atraso na liberação dos corpos.

O Governo de Minas Gerais ainda não se pronunciou sobre a paralisação. A Secretaria de Comunicação Social deve divulgar, ainda nesta segunda-feira, uma nota sobre o caso.

Na última quinta-feira, os policiais civis decidiram decretar greve e recusaram a proposta apresentada pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do governo (Seplag), pois contemplaria apenas uma parte da categoria.

Fonte: Globo Minas

URGENTE! Nossos policiais estão sofrendo


Tortura, assédio moral, corrupção: é o que mostra a maior pesquisa já feita nas polícias do país

A vida de policial no Brasil não é fácil. E raramente dá motivos para se orgulhar. Os salários são baixos, o treinamento é falho, as armas e os equipamentos são insuficientes para enfrentar o crime. Isso, todos sabem. Mas, até agora, pouca gente havia se preocupado em saber o seguinte: O que pensam os profissionais de segurança pública no Brasil. Esse é o nome de uma pesquisa inédita feita com 64 mil policiais em todo o país pelo Ministério da Justiça em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Com 115 páginas, o estudo, cuja íntegra foi obtida em primeira mão por ÉPOCA, mostra, em números, não só quanto o policial brasileiro é despreparado, mas também como ele é humilhado por seus superiores, torturado nas corporações e discriminado na sociedade. O levantamento revela quem são e o que pensam os policiais – e quais suas sugestões para melhorar a segurança no país. Se o diagnóstico feito pelos próprios agentes é confiável, a situação que eles vivem é desalentadora: um em cada três policiais afirma que não entraria para a polícia caso pudesse voltar no tempo. Para muitos deles, a vida de policial traz mais lembranças ruins do que histórias de glória e heroísmo.
O PM aposentado Wanderley Ribeiro, de 60 anos, hoje presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar do Rio de Janeiro, faz parte de um dado sombrio das estatísticas que a pesquisa revela. Como ele, 20% dos agentes de segurança afirmam ter sido torturados durante o treinamento. Trata-se de um índice altíssimo – um em cada cinco. Segundo Ribeiro, em seu curso de formação ele foi levado a uma sala escura com outros recrutas. Os oficiais jogaram bombas de gás lacrimogêneo e trancaram a porta. Do lado de dentro, os recrutas gritavam desesperados implorando para sair. Muitos desmaiaram. “Quando eles abriram a porta, nós já saímos levando socos e chutes e sendo xingados”, afirma Ribeiro. “Tive de fazer tratamento médico porque fiquei com problemas respiratórios.” E qual é a razão desse tipo de “treinamento”? “Eles tratam o policial como um animal, dizem que o PM tem de ser um animal adestrado. Depois, soltam esse animal em cima da sociedade”, diz.
Além da tortura, os policiais são vítimas de assédio moral e humilhações. Em Manaus, um oficial que prefere não se identificar conta que foi impedido de sair do serviço no Dia das Mães. “Eu estava saindo e me perguntaram se eu tinha servido água no jarro do instrutor. Eu tinha esquecido”, diz. “Eles me fizeram passar o dia enchendo um bebedouro de 300 litros com uma tigela onde só cabiam 300 mililitros”, afirma o PM, que publicou num blog imagens de alunos fazendo flexões com a cara virada para um meio-fio imundo.
“A pesquisa demonstra que há um sofrimento psicológico muito intenso. Essa experiência de vida acaba deformando esses policiais, que tendem a despejar sobre o público essa violência”, diz o sociólogo Marcos Rolim, professor de direitos humanos do Centro Universitário Metodista e um dos autores do estudo. “Passamos os anos da ditadura encarando os policiais como repressores e defendemos os direitos humanos, mas nos esquecemos dos direitos humanos dos próprios policiais.”
O levantamento mostra também que casos como o da morte do coordenador do AfroReggae Evandro João da Silva não são fatos isolados, como frequentemente os comandantes procuram fazer crer. Evandro levou um tiro de um assaltante e morreu sem socorro. Um capitão e um sargento abordaram os bandidos e, em vez de prendê-los, ficaram com o tênis e a jaqueta de Evandro, roubados por eles. A corrupção é prática comum na corporação, e os oficiais como o capitão são até mais condescendentes com ela do que os praças. Entre os policiais de alta patente, 41,3% disseram que fingiriam não ter visto um colega recebendo propina. Já entre os praças, o porcentual cai para 21,6%. Chama a atenção o número dos superiores que ainda tentariam se beneficiar da propina: 5,1% dos delegados e 2,8% dos oficiais da PM disseram que pediriam sua parte também, em comparação a 3,7% dos policiais civis e 2,1% dos praças. Paradoxalmente, 78,4% dos policiais consideram “muito importante” combater a corrupção para melhorar a segurança no país.
São números que explicam por que a polícia é tão estigmatizada pela sociedade: 61,1% dos agentes dizem que já foram discriminados por causa de sua profissão. Tanta carga negativa faz com que policiais até escondam sua vida profissional. Tenente da PM do Rio, Melquisedec Nascimento diz que um namoro recente acabou porque os pais da moça não aceitavam que ela ficasse com um policial. “Você só pode dizer que é da polícia depois que a mulher está apaixonada. Se disser antes, ela corre. Todo mundo acha que o policial é um brucutu corrupto. Outro dia eu ia a uma festa e o amigo soletrou para mim o nome da rua: ‘Claude Monet’. Ele achou que só porque eu sou policial não saberia quem foi Monet”, diz ele.

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NÃO DEIXE SE ENGANAR!

domingo, 29 de novembro de 2009

Salários da PM no Brasil

PMs do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro têm os piores salários iniciais do Brasil

DESAFIO: Alunos do curso de formação de soldados da Brigada Militar, no Rio Grande do Sul. Após a formatura, eles receberão o pior salário do país na categoria.

Basta que uma crise na segurança pública no país ganhe espaço no noticiário para que a remuneração dos policiais volte a virar tema de debate. Das conferências sobre segurança em Brasília às páginas de comentários de ÉPOCA, essa discussão tem ganho cada vez mais espaço. O consenso, na maioria das vezes, é que os policiais são mal-remunerados – o que afetaria diretamente a qualidade de seu trabalho.

Para discutir a relação entre o salário do policial e a segurança pública, ÉPOCA realizou um levantamento para verificar quanto ganha um policial militar no início da carreira. Os valores mostram que a realidade dos policiais varia muito de Estado para Estado. Para soldados em início de carreira, a diferença entre o salário mais alto (DF) e o salário mais baixo (RS) é de mais de R$ 2.700. O Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro pagam os piores salários: R$ 1.138,17 e R$ 1.277,67, respectivamente. A média nacional é R$ 1.814,96. (Leia mais no quadro abaixo)

Nos dois Estados, representantes do governo reconheceram o problema, mas atribuíram os baixos salários à política de governos anteriores. “Durante muitos anos o Rio Grande do Sul deu reajustes maiores a servidores que já eram bem remunerados, em detrimento de categorias como a segurança e o magistério, que correspondem a 90% do funcionalismo”, afirma Mateus Bandeira, secretário do Planejamento do Rio Grande do Sul. Para o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, “há uma defasagem evidente e agora é preciso que o Estado recupere aquilo que não foi dado nos governos passados”.

As informações foram fornecidas pelo Comando Geral da Polícia Militar ou pelas secretarias de Administração e Segurança Pública de cada Estado. Os valores correspondem ao salário bruto de um soldado após concluir o curso de formação, incluindo gratificações mensais para alimentação e fardamento. Horas extras e adicionais para trabalho noturno não foram levados em conta.

Os números não correspondem, necessariamente, ao valor exato recebido pelos policiais ao fim do mês. No Rio Grande do Sul, por exemplo, são poucos os soldados que não fazem até 40 horas extras para aumentar a remuneração. No Rio de Janeiro, o alto valor dos descontos faz o salário líquido recebido pelos soldados ficar na casa dos R$ 900. “Não conheço nenhum soldado que ganhe mais de R$ 1.000 no Rio”, diz Vanderlei Ribeiro, presidente da Associação de Praças da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

No início do mês, uma pesquisa feita pelo Ministério da Justiça em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e divulgada em primeira mão por ÉPOCA revelou que os baixos salários são a principal preocupação de 92% dos policiais do Brasil. “O soldado não tem recursos para suprir as necessidades básicas da família e é forçado a fazer bicos. Muitos casais se separam”, diz Ribeiro. Além de afetar a vida pessoal dos policiais, o trabalho informal e as horas extras também teriam impacto direto sobre a segurança pública. “O excesso de trabalho é desgastante para qualquer pessoa e mais ainda para quem põe a vida em risco durante o período de trabalho. Isso se reflete em excesso de violência, ações não-planejadas e erros”, afirma Fabiano Monteiro, coordenador de um treinamento para policiais na ONG Viva Rio.

O combate às horas extras e à informalidade deu origem a iniciativas para tentar obrigar os Estados a aumentar a remuneração dos soldados. Entre elas está a Proposta de Emenda Constitucional 300/08, atualmente em discussão naCâmara dos Deputados. Ela propõe equiparar os salários de todos os Estados ao valor pago aos soldados no Distrito Federal (R$ 3.869,56), criando um piso nacional para a categoria. Para o secretário-executivo do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), Ronaldo Teixeira, o projeto é inviável. “Nenhum Estado hoje pode sair de um patamar de R$ 1.000 e passar para R$ 4.000. Seria uma repercussão muito pesada”, diz. Segundo Teixeira, é incorreto usar o Distrito Federal como parâmetro: por abrigar a capital do país, o DF recebe recursos da União para custear despesas com segurança, educação e saúde. Os Estados, por sua vez, dispõem apenas de sua própria arrecadação.

“A iniciativa é bastante positiva, mas não podemos criar ilusões. A lei não tem o poder de criar recursos, e o orçamento dos Estados é rígido”, diz Bandeira, secretário de Planejamento do Rio Grande do Sul. “Um reajuste desse porte implicaria um aumento de mais de R$ 700 milhões nas despesas do governo do Rio Grande do Sul”. Segundo ele, isso acabaria tendo de ser compensado por um aumento na carga tributária.

Entre os críticos da proposta, há também os que afirmam que o aumento salarial não provoca necessariamente uma melhora na segurança pública. “O piso nacional descaracteriza o federalismo e não é sinônimo de eficiência e de resultado. Existe um grande problema de segurança pública no Distrito Federal”, afirma a pesquisadora Paula Ballesteros, do Núcleo de Estudos de Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP). Apesar de seus policiais contarem com os melhores salários do Brasil, o DF viu sua taxa de homicídios crescer 9,8% entre 2007 e 2008. A alta foi quase dois pontos percentuais maior que registrada no Rio Grande do Sul, Estado com os salários mais baixos. Mesmo que a relação não seja direta, a pesquisadora acredita que é necessário remunerar melhor os policiais. “Existe uma pressão da sociedade civil para que o profissional da segurança pública seja mais bem remunerado”, diz Paula. “Um bom salário mostra que o Estado respeita aquela função.”

Em vez do estabelecimento de um piso, tanto o Pronasci quanto os governos estaduais defendem medidas de longo prazo para valorizar a profissão dos soldados. A iniciativa foi adotada no Sergipe, onde um acordo determinou um aumento salarial escalonado ao longo de mais de um ano. Atualmente, os soldados no Estado ganham R$ 1.625. O valor vai aumentar gradualmente até dezembro de 2010, quando chegará a R$ 3.218. No Rio Grande do Sul, os reajustes devem se estender por mais tempo. “Há uma lei que atrela os reajustes à poupança do governo e privilegia os salários menores, mas não é possível prever uma data para que eles cheguem à média nacional”, afirma Bandeira.

O Rio de Janeiro, por sua vez, deve apostar nas gratificações, que reforçam a remuneração dos policiais sem a necessidade (e os benefícios) de um reajuste salarial. A partir de 2010, todos os policiais plenos do Rio de Janeiro passarão a receber R$ 350 a mais. Além da gratificação oferecida pelos Estados, o Pronasci oferece uma bolsa de R$ 400 para soldados que ganham até R$ 1.700 e participam de cursos de especialização. No Rio de Janeiro, 22 mil policiais se beneficiam da medida. A expectativa do Pronasci é que, nos próximos cinco anos, os Estados passem a incorporar essa gratificação aos salários. “A melhoria precisa ser contínua e por um bom tempo até chegarmos a níveis satisfatórios”, diz Beltrame. Tanto o Rio de Janeiro quanto o Rio Grande do Sul reconhecem que é necessário remunerar melhor os soldados, com reajustes ou gratificações, mas não arriscam estabelecer um prazo.

Clique aqui ou na imagem e veja o Gráfico animado:
Fonte: Época

Minas Gerais - Modelo inovador de presídio dá chave da porta a detento em Minas

O porteiro Waldenei Ramos, 29, destranca o cadeado, abre a porta e sorri ao recepcionar os visitantes. Quem vê a cena nem imagina que ele cumpre pena por roubo e dois anos atrás estava em um presídio de segurança máxima da região metropolitana de Minas Gerais.
As coisas nas chamadas Apacs (Associações de Proteção e Assistência aos Condenados) são bem diferentes de uma penitenciária convencional e podem chocar o expectador acostumado às imagens de superlotação, sujeira, abusos e violência. No novo modelo prisional adotado no Estado, o preso literalmente detém a chave da cadeia.
Enquanto cumpre pena, Ramos é o responsável não só pela portaria, como também pela escolta dos outros detentos. Isso significa que quando alguém precisa ir ao médico, por exemplo, é ele que faz o acompanhamento. Os presos vão e voltam por conta própria em carros da unidade.
"O que me faz voltar é a minha responsabilidade", resumiu ele, que já cumpriu dez anos na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. "Quando saí daqui pela primeira vez, para cantar com o coral em Itaúna [MG], fazia oito anos que eu estava preso. Mesmo assim, aqui eu tinha uma chance de recomeçar a vida", contou.
"É uma relação de confiança e de corresponsabilidade. Um preso é responsável pelo outro. Se um foge, a culpa é do outro", explicou o subsecretário de administração prisional do Estado, Genilson Ribeiro Zeferino.
Detento fala sobre a vida na Apac
O lugar também chama a atenção por não ter guardas prisionais ou qualquer pessoa armada. A construção tem áreas verdes, um pátio sem muros, galpões para atividades, salas e dormitórios sem grade. Os presos passam o dia trabalhando e são responsáveis por todo o funcionamento da unidade, seja na cozinha, no armazém, no barbeiro, no jardim ou na limpeza.
Eles também cuidam das punições àqueles que saem da linha. Não são tolerados celulares, drogas, tentativa de fuga ou agressão. O Conselho de Sinceridade e Solidariedade (CSS), formado por nove presos eleitos, é responsável por recomendar os castigos à direção da unidade. Na maioria das vezes, a pena é ficar alguns dias isolado em celas "repensando a vida" --não há punições físicas.
A Apac é uma associação formada por membros da comunidade, que elegem uma diretoria responsável pela gestão da unidade. O governo entra com os recursos. Em Santa Luzia, os diretores vieram da PUC de Minas Gerais, da arquidiocese de Belo Horizonte e da Congregação Irmãos Marista.
O método usado, segundo explica a diretora Mary Lúcia da Anunciação, baseia-se em três pilares: amor incondicional ao preso, confiança e disciplina. Ele parte do princípio de que ninguém é irrecuperável, de que é preciso promover a dignidade humana e de que com a participação da comunidade a chance de reinserção é muito maior.
"Óbvio que se o preso quiser fugir, ele vai fugir. Mas o índice de fugas é muito baixo", disse o secretário estadual de Defesa Social, Maurício Campos Jr.
"Não temos garantia nenhuma na vida, não é? Mas aqui o preso é o principal protagonista da confiança e deve responder a isso. Se você trata bem, trata como ser humano, confia, oferece condições para ele mudar e cobra disciplina, eles respondem", disse.
O choque de realidade também faz parte do processo. Os detentos precisam passar pelos presídios convencionais antes de serem aceitos na Apac.
Outra premissa do trabalho é não identificar o preso pelo crime. "Dizemos que aqui entra o homem e o crime fica do lado de fora. Nem eu sei que crime cada um deles cometeu. Aqui, presos por estupro convivem com os outros", contou Mary Lúcia.
Segundo ela, ali vivem homens condenados por estupro, latrocínio e homicídio, por exemplo, mas cerca de 70% dos presos responde por tráfico de drogas ou roubo.
Por mais surreal e até piegas que pareça, aparentemente funciona. Desde que a unidade de Santa Luzia, a 16 km de Belo Horizonte, foi inaugurada, há quase quatro anos, oito presos fugiram, índice considerado baixíssimo pelo subsecretário. Os casos, fez questão de frisar Zeferino, foram registrados nos três primeiros meses de funcionamento do modelo.
A unidade abriga 129 presos, sendo que 92 deles cumprem pena em regime fechado e 38 em semi-aberto.
Um dos presos do semi-aberto é Henrique Mendes Pereira, que veio da cadeia do Palmital, também em Santa Luzia. Há 11 meses na Apac, ele se prepara para ganhar a liberdade e contou que naquela tarde sairia para acompanhar pela primeira vez o ultrassom da mulher, grávida da primeira menina do casal. "Ela vai nascer no mês que eu vou sair daqui", festejou. No regime semi-aberto, os detentos têm direito a cinco saídas por ano de sete dias cada.
Pereira falou sobre a vida na unidade: "É bom, melhor que antes. No sistema comum é muita tortura psicológica. Aqui não, né? Aqui eu posso voltar pra sociedade com dignidade. É isso que me mantém aqui e me faz ter esse comportamento".
O governo de Minas mantém 25 Apacs, que juntas podem abrigar 1.518 presos. Nesse modelo não há superlotação ou rebeliões. O problema é que enquanto milhares de presos se acotovelam nos outros presídios do Estado -que possui um déficit de cerca de 12 mil vagas-- sobram 323 vagas nas unidades de reintegração. Só na unidade de Santa Luzia, há 71 vagas.
"O juiz de execução faz uma transferência gradativa dos presos para cá. São escolhidos aqueles que têm família na região, porque o foco é a reintegração com a sociedade e a família facilita isso", explicou Mary. "Além disso, o preso precisa querer vir para cá e aceitar as condições, se dispor a agir de maneira responsável. Há casos de quem não queira. Não são muitos, mas há".
Segundo ela, o tipo de delito e o tamanho da pena não são levados em conta na hora de determinar quem será convidado para integrar uma Apac.

Clique Aqui e veja o vídeo onde Detento fala sobre a vida na Apac.

Fonte: UOL Notícias

PMERJ - Acusado de derrubar helicóptero da PM se esconde na Vila Cruzeiro, diz polícia

Fabiano Atanásio teria proteção de exército armado em favela populosa. Após mais de 40 dias, investigadores avaliam riscos de uma ação no local.

O traficante Fabiano Atanázio da Silva, o "FB", transformou a Vila Cruzeiro, situada no conjunto de favelas da Penha, no subúrbio, na comunidade mais violenta do Rio, segundo avaliação da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod).
De acordo com as investigações, o criminoso se refugiou na localidade com um verdadeiro exército desde que foi apontado como o líder da invasão ao Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte, no dia 17 de outubro.
Durante o conflito, dez pessoas morreram, entre elas três tripulantes de um helicóptero da Polícia Militar que foi abatido a tiros por traficantes. Embora FB e sua quadrilha estejam sendo monitorados constantemente pela polícia, as ações na comunidade, com cerca de 50 mil habitantes, são dificultadas devido à topografia da favela, que favorece os criminosos.
“Estamos fazendo um trabalho minucioso de inteligência para prender esses bandidos. Mas, vamos agir no momento certo para minimizar os riscos para a população. Há três anos esse FB era apenas o gerente da maconha na favela, mas ganhou força com a sua truculência. A quadrilha da Penha é hoje a mais violenta do Rio”, afirma o delegado Marcus Vinícius Braga, titular da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod).
Desde que passou a ser procurado, o Disque-Denúncia aumentou de R$ 2 mil para R$ 5 mil a recompensa por informações que levem à captura de FB. Já a Associação dos Ativos, Inativos e Pensionistas da PM está oferecendo R$ 10 mil e o Clube dos Cabos e Soldados do Rio, R$ 2 mil.
O traficante é considerado foragido da Justiça desde 2002 , quando conquistou o benefício do regime semiaberto e não voltou ao Instituto Penal Edgard Costa, no Centro de Niterói, onde cumpria pena.
Além de FB, o criminoso também é conhecido como Urubu, FM e Imperador. Segundo a polícia, ele faz parte do tráfico desde 2000. Nascido e criado na Cidade Alta, em Cordovil, no subúrbio, o criminoso já participou de várias tentativas de invasões a comunidades rivais.
De acordo com a polícia, ele possui 14 mandados de prisão expedidos e ainda responde a os processos na Justiça do Rio. Entre os crimes, ele é acusado de ter sequestrado um grupo de chineses, em agosto de 2008, e atacado policiais da Divisão de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), em novembro do ano passado, na favela de Manguinhos, em Bonsucesso.

Esconderijo em São Gonçalo

O Disque-Denúncia já recebeu 280 telefonemas com informações sobre a localização de FB. Algumas denúncias apontam que ele e a namorada teriam usado esconderijos em Niterói e São Gonçalo, na Região Metropolitana. O paradeiro do traficante nessas localidades chegou a ser investigado pelo Serviço Reservado da Polícia Militar.
Depois do ataque ao helicóptero, a polícia realizou várias operações e prendeu o traficante William da Cruz Silva, conhecido como Sabará, durante uma ação no Morro dos Macacos. Ele seria o gerente do tráfico de drogas na favela. Dois homens, suspeitos de participarem da tentativa de invasão na comunidade de Vila Isabel, também foram presos por policiais do 16º BPM (Olaria) na Cidade Alta, em Cordovil.

Cabo da PM continua na UTI

Dos três policiais militares que sobreviveram ao incêndio na aeronave, o estado de saúde que inspira mais cuidados é do cabo Anderson dos Santos. Ele está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Aeronáutica, na Ilha do Governador, se recuperando das queimaduras que sofreu pelo corpo.
Segundo a Polícia Militar, o piloto capitão Marcelo Vaz de Sousa está em casa se recuperando de uma cirurgia na mão. O co-piloto, capitão Marcelo Mendes, se recupera, também em casa, do ferimento no pé. Dos seis ocupantes do helicóptero, dois morreram carbonizados dentro da aeronave e o cabo Izo Gomes Patrício, que sofreu queimaduras severas em todo o corpo, morreu dois dias depois.

Inocentes mortos

A tentativa de invasão ao Morro dos Macacos provocou ainda a morte de inocentes. Francisco Aílton Vieira, Leonardo Fernandes Paulino e Marcelo da Costa Ferreira Gomes foram assassinados por criminosos que os teriam confundidos com integrantes da quadrilha rival. Na época, eles foram apontados pela polícia como traficantes.
As famílias dos jovens, que recebem assistência jurídica da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro, querem mover um processo contra o Estado e pedir indenização por danos morais e materiais.
“Estamos acompanhando tudo com muito cuidado, ouvindo testemunhas, para que os culpados sejam responsabilizados. Não vamos permitir que isso caia no esquecimento”, afirma a advogada Margarida Pressburger, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ.

Fonte: G1

PM/SP - Polícia de SP faz hoje prova para soldado temporário

A Polícia Militar de São Paulo realiza na tarde deste domingo a prova de escolaridade para o concurso de Serviço Auxiliar Voluntário, que visa preencher 2.682vagas de soldado temporário da Polícia Militar. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, 18.215 pessoas fazem a prova em todo o Estado, ou 6,79 candidatos por vaga.
O Serviço Auxiliar Voluntário foi criado por lei federal em 2000 e tem por finalidade a execução de atividades administrativas, de saúde e de defesa civil. Embora sujeitos às normas da Polícia Militar, os aprovados não têm permissão de portar ou usar armas de fogo em vias públicas, nem podem exercer poder de polícia. Segundo a lei, o serviço tem por objetivo "proporcionar a ocupação, qualificação profissional e renda aos jovens, contribuindo para evitar o seu envolvimento em atividades antissociais".
Para este concurso em São Paulo, os requisitos são ter entre 18 e 23 anos e conclusão do ensino fundamental ou equivalente. O prazo do serviço temporário é de um ano, prorrogável por mais um período. Os ganhos para o cargo são de dois salários mínimos estaduais, que equivalem hoje a R$ 1.060.
Segundo a SSP, ainda será realizada uma prova de condicionamento físico e uma investigação social, "para analisar se a vida atual dos candidatos é compatível com o perfil desejado para a Polícia Militar". A quarta e última fase da seleção é uma análise de documentos que comprovem a condição do candidato à vaga.
Os candidatos deverão acessar o site da Vunesp para consultar o local de prova, assim como o número da sala e horário de fechamento dos portões. Caso o nome do candidato não esteja no Edital de Convocação, o número para esclarecimentos e resolução de possíveis problemas, é (0xx11) 3874-6500.

Fonte: G1

Rio de Janeiro - Vinte presos fogem da Polinter do Grajaú

Traficantes da Mangueira invadiram a Polinter do Grajaú, na manhã deste domingo, e fizeram o resgate de quatro presos. Segundo a polícia, outros 25 presos conseguiram fugir da carceragem, por volta das 8h. De acordo com o delegado Orlando Zaccone, quatro dos detentos que fugiram foram localizados em dois carros: um Astra e um Corolla. Foi apreendido ainda um alicate que teria sido utilizado pelos bandidos para facilitar a fuga. O caso está sendo registrado na 18ª DP (Praça da Bandeira).

Fonte: Extra