sábado, 5 de dezembro de 2009

Rio: bandidos de favelas ocupadas pela PM fogem para o Alemão

Apontado por algumas autoridades de segurança do Rio de Janeiro como principal base da maior facção criminosa do Estado, o Complexo do Alemão, em Ramos, zona norte da capital, está servindo de abrigo para traficantes que fogem das favelas ocupadas pela Polícia Militar para instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
A presença de novos criminosos chama a atenção de moradores da região. "Passei na praça que fica na entrada da favela Nova Brasília nesta sexta-feira e vi vários bandidos que nunca estiveram por aqui", afirmou um morador, que optou por não se identificar.
Atualmente, cerca de 150 mil pessoas vivem nas 12 favelas que formam o Complexo do Alemão. O Complexo da Penha, na zona norte, onde fica o morro da Chatuba, também está recebendo bandidos da facção que deixaram as favelas da zona sul.
"No domingo, havia uns 120 traficantes armados reunidos. Se a polícia invadir vai ser uma guerra muito feia", disse um homem que faz parte de um projeto social em uma das favelas do complexo.
De acordo com setor de inteligência da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), os traficantes Luciano Pezão e Fabiano Atanázio chefiam o tráfico nos dois complexos de favelas. Dentro do Alemão podem existir até 2 mil fuzis em poder dos criminosos.
A última operação da Polícia por lá ocorreu no dia 17 de setembro do ano passado e visava localizar os restos mortais do então chefe do tráfico da região. Quatro pessoas morreram e outras quatro ficaram feridas.
Em 2008, o governo federal deu início às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Complexo do Alemão. Operações policiais no local acarretariam na paralisação das atividades, o que pode justificar a falta de ações na região.
"Você imagina o poderio bélico desses criminosos sem qualquer repressão todo esse tempo. Nem armas, nem munições são retiradas do Complexo do Alemão há 15 meses", afirmou a deputada federal Marina Magessi, que também é presidente da Comissão de Segurança da Câmara dos Deputados. "Eles só acumulam armamentos."
O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, afirmou que é preciso agir com responsabilidade social num conjunto de favelas com as dimensões e as complexidades do Alemão.
"As pessoas que criticam a ausência das operações policiais naquela localidade são as mesmas que vão fazer um grande alarde se a gente for lá e três ou quatro pessoas inocentes forem baleadas", disse.
Beltrame também afirmou que uma concentração de traficantes naquelas favelas não significa mais poderio para a facção criminosa. "O fato de eles estarem ilhados não representa poder para os traficantes do Complexo do Alemão. Além disso, eles são monitorados pela nossa inteligência", disse.
O secretário de Segurança defende que o enfraquecimento dos criminosos aconteça na parte financeira. "Estamos minando essa facção criminosa, tirando dela o lucro com a venda de drogas e apreendendo armas e muita munição. Fazendo um balanço superficial, acredito que eles estão deixando de obter um lucro mensal de R$ 1 milhão com as pacificações feitas na zona sul", disse. "Mesmo assim, eu reconheço que o Complexo do Alemão é um lugar importante para esses bandidos, mas é alimentado por outras favelas que estão sendo sufocadas por nós."



Fonte: Jornal do Brasil







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